
Uma pacata cidade interiorana do Rio Grande do Sul encontra-se em estado alarmante quanto à sua higiene: não possui canalização, nem rede de esgoto no local, sendo os dejetos humanos depositados no riacho da cidadezinha. Por conta disso, os habitantes procuram alguma forma de movimentar a prefeitura para resolver a desagradável situação, e descobrem que podem conseguir verbas através da realização de um filme que aborde o assunto a qual querem dar um fim. Entretanto, os moradores não possuem noções básicas do processo de se fazer um filme, e é aí que o talentoso diretor e roteirista Jorge Furtado reserva as melhores piadas desta ótima comédia.
No desenvolver da história, acompanhamos os personagens à procura de recursos para realização do tal filme e criação de elementos indispensáveis para sua efetivação, como o roteiro, que - sem pretensão alguma em ser uma obra-prima - é elaborado de acordo com a facilidade de conseguir aparatos técnicos para realização de tal cena. O roteiro de Furtado também é inteligente em adicionar cenas em que os atores procuram comerciantes a fim de patrocinar seu projeto, e, com isso, denuncia uma decisão absurda de alguns patrocinadores em que a troca de favor seja explícita no filme, mostrando quase que em primeiro plano a logo de seu produto, sem que o mesmo não adicione qualquer informação ao roteiro.
“Saneamento Básico, o Filme” não apresentaria um resultado tão bom se não fosse o talento inegável de seus protagonistas – um quarteto de fazer inveja ao de “O Homem que Copiava”, outro exemplar de sua filmografia. Fernanda Torres constrói a personagem mais racional do grupo, mas que não deixa de ser engraçada; pelo contrário, é uma atriz que possui um excelente timing cômico e é admirável a sua naturalidade em proferir as palavras antes decoradas numa lauda de roteiro, assim como na minissérie “Os Normais”, devido à competência de Torres, parece que tudo parte de improvisação. Wagner Moura se livra de personagens mais complexos e desafiadores que tem enfrentado em sua carreira para dar vida a Joaquim, rapaz humilde e naturalmente engraçado, vivido com desenvoltura pelo ator. E se Bruno Garcia não tem tanto espaço merecido no longa, Camila Pitanga rouba a cena com facilidade. Dona de um corpo escultural, a atriz desenvolve uma personagem hedonista, que graças à sua desenvoltura e talento cômico, torna-se um dos grandes destaques do filme.
No desenvolver da história, acompanhamos os personagens à procura de recursos para realização do tal filme e criação de elementos indispensáveis para sua efetivação, como o roteiro, que - sem pretensão alguma em ser uma obra-prima - é elaborado de acordo com a facilidade de conseguir aparatos técnicos para realização de tal cena. O roteiro de Furtado também é inteligente em adicionar cenas em que os atores procuram comerciantes a fim de patrocinar seu projeto, e, com isso, denuncia uma decisão absurda de alguns patrocinadores em que a troca de favor seja explícita no filme, mostrando quase que em primeiro plano a logo de seu produto, sem que o mesmo não adicione qualquer informação ao roteiro.
“Saneamento Básico, o Filme” não apresentaria um resultado tão bom se não fosse o talento inegável de seus protagonistas – um quarteto de fazer inveja ao de “O Homem que Copiava”, outro exemplar de sua filmografia. Fernanda Torres constrói a personagem mais racional do grupo, mas que não deixa de ser engraçada; pelo contrário, é uma atriz que possui um excelente timing cômico e é admirável a sua naturalidade em proferir as palavras antes decoradas numa lauda de roteiro, assim como na minissérie “Os Normais”, devido à competência de Torres, parece que tudo parte de improvisação. Wagner Moura se livra de personagens mais complexos e desafiadores que tem enfrentado em sua carreira para dar vida a Joaquim, rapaz humilde e naturalmente engraçado, vivido com desenvoltura pelo ator. E se Bruno Garcia não tem tanto espaço merecido no longa, Camila Pitanga rouba a cena com facilidade. Dona de um corpo escultural, a atriz desenvolve uma personagem hedonista, que graças à sua desenvoltura e talento cômico, torna-se um dos grandes destaques do filme.
Na categoria de coadjuvantes, há cenas suficientemente divertidas reservadas aos veteranos Paulo José e Tonico Pereira, como aquela em que o prefeito da cidadezinha faz uma visita apenas com o corriqueiro interesse de demonstrar sua mobilização social. Aliás, o roteiro de Furtado é leve e inteligente: apresenta problemas sociais existentes de balde no Brasil, mas isso não basta para acabar com o humor constante do filme.
Porém, o ponto mais irresistível do filme é demonstrar que o cinema é uma arte democrática. A frase de um dos personagens do filme é uma clara referência a isto “O cidadão para ser artista e expressar a sua arte não precisa ir para Porto Alegre”, sendo a capital gaúcha um dos principais pólos culturais do país, mas o indivíduo não precisa se deslocar para lá, faz cinema quem quer. É um processo complicado, repleto de implicações e limites, mas aqui é cabível evocar o slogan do cinema novo “uma câmera na mão e uma idéia na cabeça”. Assim fizeram os personagens do filme, e ainda para solucionar um problema social. O dinheiro por eles gastos nas filmagens (despesas com edição, cenas refilmadas...) seria suficiente para a construção de uma canalização, mas o Cinema é envolvente e cativante a ponto de eles não desistirem e seguirem em frente com o projeto.
E isso é, no mínimo, uma atitude louvável: beneficiar a si mesmo e aos demais a partir da arte. Bem que o governo poderia usar o exemplo do filme e lançar algum projeto similar a este ou qualquer outra maneira a despertar o valor artístico de cada indivíduo a fim de melhorar sua situação e/ou dos demais. No último caso, Jorge Furtado tem meu voto garantido.
NOTA: 8,0


